Quem Descobriu o Telephone? Graham Bell ou D. Pedro II? Por Daniel Kauffmann

Quem Descobriu o Telephone? Graham Bell ou D. Pedro II?
Por Daniel Kauffmann

Em 1876 os Estados Unidos da América celebrou cem ano de sua Independência. Para homenagear o 4 de julho foi organizado um evento fantástico, fascinando até mesmo os mais modernistas do período chamado “O Século das Luzes”, marcado por invenções que mudaram o estilo de vida da sociedade ocidental. A “Exposição Internacional de Arte, Manufatura e Produtos de Solo e das Minas” realizada na Filadélfia em uma área de 1,2 milhões de metros quadrados, equivalente a 290 campos de futebol, reunia 60 mil expositores com 9 milhões de visitantes, equivalente na época a 20% da população americana. A exposição era marcada por grandes personagens e empreendedores responsáveis pelas mais diversas invenções científicas e industriais do século. Nomes com Thomas Edison, Remington e Henry Ford fizeram sua presença trazendo para história a criação do sistema telegráfico automático de mensagens e a primeira máquina de escrever motorizada que Ford usaria mais tarde como base para desenvolver o seu primeiro automóvel.

Nos últimos momentos de iniciar a feira, um novo expositor escocês vindo as presas de Boston no norte dos Estados Unidos, fazia de tudo para conseguir um lugar na grande exposição. O jovem Professor de 29 anos, Alexander Graham Bell, trazia para feira uma máquina meio desajeitada faltando peças chamada “O Novo Aparato Acionado Pela Voz Humana”. O único lugar que Graham Bell conseguiu para expor foi nos fundos da feira em um local escuro pouquíssimo visitado pelos frequentadores e juízes da exposição. O espaço dado a ele era um pequeno estande que mal cabia a sua invenção e uma pequena mesa com uma cadeira de madeira corrida. Durante o final da feira, já frustrado por não ter sido visto pelos juízes, Alexander escutou uma voz vindo do fundo dizendo:

– “Mister Graham Bell”!

Quando olhou em direção a voz viu um senhor de barbas longas e brancas com fortes olhos azuis austríacos vestindo uma capa preta, cartola e bengala típico dos homens aristocratas da época. Muito elegante e robusto, porém com uma voz que não fazia jus ao seu porte físico, vinha um esse senhor dizendo:

– “It’s me Mister Graham Bell, Pedro de Alcântara”! Nome pelo qual o Imperador Dom Pedro II gostava de usar durante suas viagens pela Europa e Estados Unidos.

O Imperador Pedro II e o Professor Alexandre Graham Bell tinham se conhecido algumas semanas antes em Boston durante a fundação da Escola de Surdos e Mudos, tema de grande interesse do imperador. Na realidade Dom Pedro II se interessava por tudo que envolvia educação e cultura. Durante o seu reinado no Brasil ele havia criado bolsas de estudos patrocinadas pela monarquia que levava estudantes brasileiros para Europa e Estados Unidos para cursar faculdade de renome internacional. Um desses estudantes foi a primeira médica Brasileira a se formar em uma universidade americana tornando-se uma celebridade no Brasil.

Dom Pedro era uma figura muito admirada tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos e Europa. Para onde fosse era sempre convidado de honra de eventos sociais e culturais importantes, participando oficialmente ao lado do presidente americano Ulysses Grant na abertura da grande exposição para comemorar o centenário da Independência Americana. Dom Pedro, considerado uma celebridade, chamou a atenção de todos por ser o primeiro monarca a visitar a primeira república democrática do mundo.

Durante toda a exposição Pedro de Alcântara era acompanhado pelos juízes do evento que iriam avaliar todas as novidades industriais e cientistas apresentadas durante a feira. Quando D. Pedro reconheceu Alexander Graham Bell sozinho em sua pequena mesa no lado mais escuro da feira, se aproximou ao estande de Graham junto com sua comitiva de juízes, celebridades políticas e repórteres. Nesse momento, após alguns “shake hands”, Dom Pedro disse:

– “What do you have here mister Graham Bell?”.

Então o professor Alexander muito tímido perante a um grande número de juízes, repórteres empresários e outras figuras importantes da sociedade na época explicou que trazia consigo um novo dispositivo capaz de enviar som da voz habilitando o homem de se comunicar em longas distâncias. Porém o equipamento trazido com ele se tratava de um protótipo que ainda precisaria de alguns ajustes. Dom Pedro ficou curioso e pediu uma demonstração. Em seguida Graham Bell tirou do escuro de seu estande uma caixa equipada de fios de cobre e pediu para que vossa alteza levasse consigo uma espécie de concha metálica anexada ao um fio de cobre para o outro lado do saguão, em uma distancia de aproximadamente 100 metros e colocasse a tal concha junto ao ouvido. Quando Dom Pedro se posicionou no local e distancia indicados, Graham Bell pronunciou as seguintes palavras:

– “To be or not to be”. Passagem da peça Hamlet de William Shakespeare.

Do outro lado do saguão ouviu-se um grande “Meu Deus, isso fala! Eu escuto, eu escuto!”, exclamou Dom Pedro II. Mas não foi somente ele que fascinou-se pela nova invenção, os jornalistas, industriais inclusive o jurado presente quiseram saber mais sobre a tal “transmissor de voz humana” criado pelo professor escocês Alexander Graham Bell. Mais tarde foi batizado como telefone e foi considerado por muitos filósofos a invenção mais importante do “Século da Luz”, que mudou radicalmente o cotidiano do homem.

Mas não foi somente a ciência e industria afetada por esse período da nossa história. Os pensamentos filosóficos que se aprofundaram no campo da sociedade e política foram radicalmente revistos. Muitos países e impérios “navegavam” por mudanças drásticas na organização política e econômica caminhando alguns para o comunismo de Karl Marx e outros para a democracia capitalista americana. O próprio Dom Pedro II escrevei na margem de uns dos seu tantos livros lidos que achava a república e democracia boa opção para os brasileiros.

“Desejaria que a civilização do Brasil já admitisse o sistema republicano que, para mim, é o mais perfeito, como podem sê-lo as coisas humanas. Creiam que eu só desejava contribuir para um estado social em que a República pudesse ser “plantada” por mim e dar sazonados frutos.”

Mas voltando a questão que abre esse artigo, quem foi que descobriu o telefone? O inventor não a dúvidas, Alexander Graham Bell, mas quem descobriu esse génio com seu protótipo de transmissão de voz em um canto escuro da maior exposição do mundo, foi um brasileiro chamado Pedro de Alcântara, ou como era mais conhecido, Dom Pedro II o Imperador do Brasil. Não há como questionar que entre tantos outros luso-brasileiros esse personagem da história brasileira e portuguesa foi um grande líder, filósofo e estudioso fascinante digno de admiração e que ele nunca seja esquecido.

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